Revitalização Necessária - A Tribuna

 

A região de Puerto Madero, em Buenos Aires, possuía há alguns anos atrás características muito semelhantes a parte do Porto de Santos que se localiza no centro da cidade. Armazéns abandonados, área urbana deteriorada, muito próximo ao centro de poder da capital argentina.
Hoje, a única semelhança é a localização. Um projeto muito bem desenvolvido, conseguiu transformar uma área completamente desvalorizada em um dos locais com o metro quadrado mais caro da Argentina.

A transformação de Puerto Madero, começou a acontecer com a restauração de seus belíssimos armazéns de tijolos aparentes e a sua destinação ao uso comercial e residencial. No seu entorno foi elaborado um plano de novas construções, permitindo a convivência do porto com as suas diversas novas atividades.

O principal desafio foi o de revitalizar economicamente toda uma região sem criar gastos astronômicos para o Estado. A idéia básica foi a de criar atividades que tivessem uma movimentação as 24 horas do dia, evitando assim que a região fosse caracterizada por essa ou aquela atividade, por isso o seu uso não só como área para escritórios, mas também para habitações.

Para isso foi criada a Corporação de Puerto Madero, uma sociedade anônima que tem como acionistas o Estado e a Prefeitura, e como patrimônio os bens imóveis e terrenos de Puerto Madero, que puderam ser comercializados.

A partir daí, foi convocado um concurso nacional de idéias, que teve a participação de grandes nomes da arquitetura e urbanismo, que apresentaram 97 propostas. Escolhidas as propostas vencedoras, partiu-se para a implantação do que hoje conhecemos.

Em Santos a realização de intervenções deste porte não só é desejável, como perfeitamente viável. O primeiro passo pode ser dado pela Prefeitura, criando condições para tornar o centro da cidade e a região portuária viável para iniciativas como a argentina. É necessário que através do nosso Plano Diretor, se crie mecanismos de atração de investimentos para a região. É importante que se incentive a implantação de estratégias de ocupação comprometidas com as necessidades locais.
O centro de Santos, já possui toda a infra estrutura necessária para grandes empreendimentos, sejam eles de caráter comercial ou residencial. Se a região está deteriorada, isso se deve ao abandono
a que foi condenada, em função de uma série de fatores que não nos cabe discutir.

Para tornar o centro novamente uma região viva, valorizada e capaz de atrair investimentos, é necessário que o poder público faça a sua parte, dando segurança, melhorando o transporte coletivo, criando políticas de ocupação sensatas, mas é preciso também que a sociedade abra os olhos para uma das áreas mais ricas de nossa cidade. O santista deve deixar de olhar somente para a praia e redescobrir as suas próprias raízes e a sua história, que estão presentes em cada esquina do centro de Santos.

É fundamental também que exista um envolvimento muito grande por parte da comunidade em projetos como esse, que antes de gerar benefícios, vai gerar grandes transtornos em toda área a ser modificada e restaurada.

Acredito que a comunidade técnica tenha uma contribuição muito grande a dar neste processo, afinal, cabe a ela apresentar as propostas e discuti-las da maneira mais equilibrada possível, sem paixões ou motivações outras que não o desenvolvimento da cidade.

O que deve ser feito neste momento é arregaçar as mangas, sentar com a sociedade e discutir a melhor maneira de fazer de Santos um modelo até para outro países. Idéias não faltam, boas intenções também e o dinheiro, bem, isso falta, mas tenho certeza que na Argentina ele não estava sobrando.





Jornal A Tribuna - Santos

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